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Micro Estórias

Micro na escrita. Macro na imaginação.

Promessa (Neusa Maria Fontolan)

Calado e com grande perfeição, cortou a meia ao meio. Assim testava o seu talento. Sonhava que, no futuro, a meia estivesse calçando um pé.

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Morfologia (Evelyn Postali)

Tinha o dom de meter medo e criar encrenca por onde andasse. Não perdia luta alguma. Naquele Natal de 77, porém, em uma desavença com um pinguim de Madagascar, a morsa perdeu o dente.

Animosidade (Wender Lemes)

Cleiton teve que encarar o gerente adjunto ao chegar, pela quarta vez na semana, atrasado, aparvalhado e parcialmente sóbrio. Demorou quase duas horas para notar-se mais arrefecido que o normal. A apoteose da modernidade, também conhecida como ar-condicionado, transformava o... Continue lendo →

Intragável (Jorge Santos)

Durante a campanha, o presidente entrou na casa com telhado de sapé e comeu sopas de aveia com quem, na sua ótica, era a ralé. Depois de eleito, mandou um jagunço deitar fogo na casa com querosene. Nunca mais conseguiu... Continue lendo →

Babel (Evelyn Postali)

Cada coluna erguida, arco construído, ou detalhe profano que materializava, fazia da profissão um ritual. A esperança de realizar o maior e mais ambicioso sonho ressurgia a cada novo detalhe do projeto. Como arquiteto e homem além de seu tempo,... Continue lendo →

Simplicidade (Victor O. de Faria)

Enquanto um casal humilde, de meia idade, tirava fotos turísticas no pórtico ainda a ser enfeitado, com seu recém adquirido celular da geração passada, duas pessoas conversavam e discutiam sobre a cena incomum. As fotos mal continham uma resolução decente.... Continue lendo →

Receita (Neusa Maria Fontolan)

Olhava atenta para o pingente, com sua pedra preciosa e folha ornada com filigrana: precisava de uma limpeza, assim como sua vida após o abandono daquele que lhe deu a joia. A lixeira recebeu o presente e ela foi dourar... Continue lendo →

Casos e Causos (Neusa Maria Fontolan)

Não foi complicado lidar com a corrosão da chaleira após tentar ferver suas roupas. Difícil era ter que partir com sua nudez. (Baseado em um jogo de palavras da comunidade Entre Contos no Facebook).

Percepção (Fábio Santos Almeida)

Tenho-te aqui, no espaço do quarto, o quentinho da tua boca, o zurzir da televisão. Temo-nos enquanto não entardecer e mais ninguém nos incomodar. E o mundo tem-se a si próprio, cheio de criaturas como nós, nos seus pequenos buracos;... Continue lendo →

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