Ela explicara, dissera muita coisa, falara muito. Mergulhado no torpor pela revelação inesperada, não ouvira nada. Saiu tendo apenas uma certeza: não voltaria a vê-la; quando regressasse à casa, ela não estaria – nunca mais, abandonara-o. Andou sem destino. Passou pela galeria. Entrou. Sentou-se. Não era angústia, nem desânimo, apenas incapacidade de lidar com o sucedido. O sentido da vida era-lhe, naquele momento, tão estranho quanto o dos quadros naquela parede.

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