O seu cotidiano era uma tragédia. Dormia largado na rua e, para escapar do frio da madrugada, restava-lhe recorrer ao papelão. Estava desempregado, desde que o circo fechou as portas. Não havia lugar para a cultura circense em um mundo com tantos escândalos, ilícitos e imoralidades. Nenhum remédio poderia salvá-lo do rigor daquela vida. Adoeceu nas ruas e a morte foi a única a estender-lhe as mãos. Como um bom palhaço, riu da própria desgraça, dançou sobre a sua caveira e tagarelou no picadeiro da eternidade. O espetáculo, afinal, tinha que continuar.

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