Era um artefato desconhecido, um objeto de origem atemporal. O que realmente havia em seu interior? Que horrores libertaria a quem o encontrasse? A resposta era tão simples quanto intrigante. As pessoas tinham medo de encarar seu próprio reflexo, medo de encontrar alguém semelhante em todos os aspectos, de encarar a si próprio e perceber que estavam presas naquela realidade. O que havia do outro lado? O terror da descoberta os afastava, mas o objeto, alheio à passagem do tempo, sobreviveu. A verdade é que ninguém estava preparado para entender sua real função. Contudo, séculos mais tarde, alguém teve a coragem de explorá-lo até o fim, sem se importar com as consequências de seus atos. Horrorizado, percebeu que o lado em que todos se encontravam era, sem sombra de dúvida, o de dentro! Em meio à epifania deixou de existir, tal qual as outras personagens que, à deriva nas entrelinhas, entenderam que não passavam de meros coadjuvantes num curto mundo ficcional – um livro. Uma caixa. Um jarro de sonhos imateriais.

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