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Micro Estórias

Micro na escrita. Macro na imaginação.

(In)consequências (Iolandinha Pinheiro)

Achava fascinante aquele homem dando aula com desenvoltura apesar da forte gagueira. Suas aulas eram lotadas, e ela acabou criando o hábito de inventar desculpas para assistir as palestras dele todas as tardes. Cada aula era uma joia preciosa. Só... Continue lendo →

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Sentido (Wender Lemes)

Aprendeu, ainda menina, a ler as necessidades do avô. Não era nenhum dom divino, ou habilidade mirabolante. Tosse pedia água, café pedia cigarro, voz pedia ouvido. Um dia, toda a água do mundo não foi suficiente. O cigarro, derradeiro inimigo,... Continue lendo →

Reconhecimento (Mariana Pires)

A premência da necessidade sufocava-o como um ataque atômico caído sobre as suas faturas pendentes de pagamento. Enquanto isso, o tecladista continuava a criar a sua arte, na esperança de algum reconhecimento que lhe permitisse a sobrevivência. Mas se as... Continue lendo →

Epílogo (Jorge Santos)

Logo a seguir ao alvorecer, ele apagou o lampião, franziu o supercílio, chupou avidamente a polpa de uma manga e sucumbiu ao veneno da tarântula que, entretanto, o picara no dedo grande do pé direito. Depois de uma vida inteira... Continue lendo →

Privação (Paula Giannini)

Que portão era porta grande e casarão algo bem maior que o casebre em que morava, aprendera cedo na escola. Mais tarde em casa, caderno no colo, lápis na mão, tratava de completar a lição. E com ares de sapiência... Continue lendo →

Existencial (Victor O. de Faria)

Vítima de um incêndio, a pobre ovelha adquiriu esquizofrenia, e tornou-se, literalmente, a ovelha negra da família. Em noites de lua cheia, eletrizada, olhava com desejo para o queijo suíço desenhado em sua superfície, e perguntava-se, inconscientemente, se não haveria... Continue lendo →

Epístola (Alessandro Krimer)

Com boa caligrafia desde muito nova, Rosa copiava sem cessar a mesma frase dita há tanto tempo: “Não te quero mais!”. Na época foi tempestade que envolveu toda a aristocracia. Hoje, na biblioteca do hospício, uma e outra traça discutem... Continue lendo →

Cordel (Evelyn Postali)

Impulsionou a canoa para o meio do rio com o remo de esparrela. Se descobrissem que destruíra o mandacaru da mulher do coronel por vingança, acabaria no xilindró e passaria a ser balaio de porrete e vilipêndio, porque pobre ele... Continue lendo →

Máscara (Alessandro Krimer)

Fazia o tipo "safo". Gostava de ser chamado Leão. Mas na verdade, era só uma borra de macho. Meia-colher, como dizem. Num dia, emparedado pela polícia, confessou o apelido: Batata. Notícia correu no bairro. Leão virou purê na boca da... Continue lendo →

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