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Micro Estórias

Micro na escrita. Macro na imaginação.

Narciso (Paula Giannini)

Só agora entendia porque diziam que a arte era reconfortante. E sentiu-se incluído ao olhar a tela e enxergar no detalhe, um retrato da própria roupa.

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Fugaz (Ana Maria Monteiro)

Ela explicara, dissera muita coisa, falara muito. Mergulhado no torpor pela revelação inesperada, não ouvira nada. Saiu tendo apenas uma certeza: não voltaria a vê-la; quando regressasse à casa, ela não estaria - nunca mais, abandonara-o. Andou sem destino. Passou... Continue lendo →

Antropologia (Jefferson Lemos)

O homem moderno se via como um estranho vagueando por aquelas galerias. Cada quadro, cada moldura, as cores... Tudo parecia tão vivo, e ao mesmo tempo tão sem sentido... Sentou-se, contemplou a razão de sua própria existência, pegou o celular... Continue lendo →

O quadro (Evelyn Postali)

Esquivando-se da mesmice do escritório, arrastou-se para dentro da galeria do outro lado da rua, pela primeira vez. Na abstração daquela sala, prostrou-se viúvo de si, traduzindo a iniquidade de seus silêncios.

Metaforica(mente) (Evelyn Postali)

Pinçou o espaço com o alfinete. As estrelas competiam como luzes de vaga-lume. Deixou-se ali, deitada sobre a pétala da flor, em um laço mágico com o perfume e a poesia.

Ponteiros (Claudia Roberta Angst)

Guardo minutos em gavetas imaginárias só para poupá-los do desgaste do cotidiano. Embrulhados, mimos de um desejo que despertou comigo. As horas subindo e descendo as escadas rolantes da imaginação. Portas batendo fora do ritmo dos acontecimentos.

(In)Certezas (Paula Giannini)

"Saudade é vocábulo para sentir" - Silêncio. O microfone acabara de anunciar. O encontro das bandeiras era o ponto alto daquela festa popular. Divino! Foi o pensamento que lhe veio. Divina! Foi a sensação que ficou quando, dias mais tarde,... Continue lendo →

Simples assim (Virgílio Gabriel)

Triste, encostado na cabeceira da cama, Roborvaldo, o robô, estava chateado por ter perdido, naquela manhã, o seu nariz em forma de cubo. Pelo reflexo do seu retrato, na cabeceira da cama, viu seu parceiro esquilo se aproximar pela janela... Continue lendo →

Contemporâneo (Evelyn Postali)

O ilegítimo invadiu o castelo com a Plenitude nas mãos. A esperteza era a lei, era sua espada. Ele não renunciaria. Quem quisesse adoçar a vida com a leveza da verdade, que ocupasse outras terras, que se mudasse. O povo... Continue lendo →

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